sexta-feira, 27 de julho de 2012


 


O LUCRO DA MISÉRIA


jTorquato / Maceió / 2012


Pés descalço, rachado e grosso, calça rota, em pedaços sem cor, passos firmes e lentos, rosto suado com lágrimas contidas, expressão conformada, resto de chapéu de palha cuja parte superior sustenta um caixão de madeira de embalagem de frutas, dentro do caixão, embalados em trapos imundos, vai o defunto de uma criança recém nascida. “È não vingou” diria os vizinhos,  se vizinhos houvesse. Não os há porque todo mundo se mandou para a cidade mais próxima, eles caminham, por ressequidas e poeirentas paisagens, onde nem o galho seco de uma planta brava resistiu a tremenda seca. Mas ele segue agora com seu “anjo” rumo a mesma cidade, ao cemitério da cidade, lá enterrar seu “anjo” e esmolar comida.
No Grupo Escolar, agora chamada de Escola de Ensino Fundamental, que um dia foi uma construção sólida a beira da estrada asfaltada, mole com visões de fumaça no leito, como uma serpente brilhante, negra e fumegante, se estendendo a perder de vista na planície castigada, Chegam os alunos, todos a pé, mesmo o que antes vinham n o lombo do burro, porque burro não tinha mais, a seca como uma tusiname de vento quente, varreu toda vida animal e vegetal da região. Cansados entram na escola e segue rumo a única sala de aula que ainda está em pé e com alguma telha que traz uma sombra refrescante. A Professora, magra e velha por antecipação, com olhos melancólicos, fala baixo e sem forças, o ABC do dia. A maioria dos alunos dormem nos braços apoiados nas carteiras, ou no que restou delas, a maioria está sentada ao c hão encostada na imunda parede, só têm todos uma única vontade, um único desejo, uma única meta= a Merenda do dia, a única do dia, e eles eram felizardos por a terem, os mais velhos da família que não estavam “matriculados na escola” passavam fome mesmo, a maioria comendo “farinha mandacaru”, até insetos valia para acalmar o estômago,  mas o problema não era só a fome, era a sede terrível, NE m água barrenta existia mais.
Para onde quer que se olhasse não havia água, não lhes chegavam nem o prometido caminhão pipa, não havia nem mais coragem para caminhar, faltava forças, o que sobrava era dos alunos daquela escola, a única ali, quinze alunos. E a Merenda Chegou, a Professora, que era diretora, servente, cozinheira, assistente social, psicóloga, médica, etc. já tinha providenciado antes da chegada da garotada.
Arroz e ovos estrelados foram distribuídos, um copo de água barrenta foi disputado, humanos que pareciam animais famintos e sedentos, ou animais com configuração humana?
No Palácio o Governador estava assustado com as estatísticas de mortes, quebra de safras e toda uma calamidade provocada pela já comum seca do nordeste. Em resposta a seu oficio o Governo Federal dizia que enviou verbas, não a prometida inicialmente, mas 20% do mesmo, o restante seria enviado em diversas parcelas em 2 anos etc. e que, claro, esta verba estava indo devido ao empenho do Senador do partido Federal, e seria liberada depois de anunciada amplamente pelas imprensa, parte desta verba deveria ser utilizada “in off” para esta promoção, pois as eleições estava próxima. Uma boa parte das doações internacionais foi bloqueada e que o Deputado Federal do partido do Governo estava liberando-a, e sob seu comando, iria dispor como esta verba seria aplicada.
Por outro lado o Governo Federal incitava os Deputados na Câmara em pronunciamentos veementes, que o Governo Estadual já tinha recebido a verba integral e não a estava aplicando, a imprensa solicitou confirmação ao Governo federal, assessoria de imprensa revelou que nada pode adiantar sobre o pronunciamento do Excelente Deputado que tanto luta e denuncia os malfeitos dos políticos da oposição, inclusive o Governador de seu estado.
Estando as eleições mui próximas, de repente as agremiações estudantis receberam aviso de crédito bancário de somas fabulosas que deveriam ser utilizadas em passeatas e manifestações patrióticas contra a corrupção do Governo do seu Estado que deixa o povo do sertão morrer de sede e fome, em quanto o banco estava abarrotado de dinheiro federal enviado para socorrer as vítimas da seca. Pelo correio via Sedex chegaram tintas para pele, cartazes e planfetos, ticket refeições e etc. uma carta do Deputado Federal estava junto anunciando que 50 Ônibus, 35 Bestas, Jingles, e contato de marketing na imprensa já foram providenciados, e que o MST, a CUT, sindicatos dos Professores, Motoristas e outros já tinham confirmado participação na manifestação contra o corrupto e ladrão governo oposicionista Estadual. E estava explícito, enviamos muita verba para combater e prevenir a seca, perguntem na manifestação, ONDE ESTÁ O DINHEIRO QUE O GOVERNO FEDERAL MANDOU?
Em casa o Deputado junto ao Senador davam gargalhadas a armadilha cruel estava lançada, o dinheiro das instituições federais estava em sua C/C e o Governo Estadual nem o povo iriam ver.  Um jovem Deputado de primeiro mandato, ainda com uma camisa vermelha contendo frases ufanistas, filho de uma raposa política, perguntou inocentemente.
-Mas se o governador provar com documentos que o Governo Federal não mandou nada ainda e só vai mandar 20% do que está falando? E que a ajuda internacional nunca vai aparecer porque está sob vosso controle? – A gargalhada foi geral, o Jovem Deputado corou se espremendo na poltrona para desaparecer.
- Filho!!!! Tens muito que aprender conosco, nossa escola foi dura, sindicato nos ensinou uns truques, mas a vida parlamentar nos ensinou muito mais. A Seca é um achado para nós, é garantia de respaldo financeiro para nossa campanha, o que tiramos deles agora, o devolveremos mais tarde como Esmola, ajuda, empregos sem carteira como assessoria, comprando seus votos, etc. O Governador não é burro, se denuncia a tramoia que se meteu, o Governo Federal corta tudo, não recebe mais nada, todos os Governos e Prefeituras estão na Mão do Governo Federal e do Parlamento Federal, e além do mais vai nos encarar, Você acha que o povo vai acreditar no Governador mesmo mostrando documentos, filmes, gravações telefônicas? Ah ah ah ah ah, você teve a prova no tal Mensalão, quase todos voltaram a vida política nos braços do povo. Quem se esmerou em provar está em maus lençóis, nós não, nós rimos deles nas piscinas com copos de envelhecidos wisk, a comemorar Deus que nos dá periodicamente uma seca para nos forrar, e quase sempre as vésperas de eleições.

quinta-feira, 19 de julho de 2012


GAY A PULSO – EXCESSO DE ESCLARECIDOS

jTorquato



Um pé acariciava minha bunda, e um sussurro grotesco de menino homem no meu ouvido me convidava a ir para o porão.

Eu estava sentado na carteira da escola, assistindo a aula da Professora Júlia, era o 4º ano primário em uma escola particular chamada Educandário São José.

Do que eu me lembrava era de ter me admirado inocentemente da semelhança do colega de classe, muito mais velho e sempre repetente, com o cantor que despontava chamado Roberto Carlos, em seu LP azul, logo ele  confundiu tudo e pensou que eu queria alguma coisa com ele na base homossexual, corria os finais dos anos 60. Eu não tinha jeito de parar com o assédio, tinha medo e era super tímido, devido minha rigorosa educação no lar.

Sabia, porém, que muitos meninos, naquele educandário, estavam se submetendo a torturas sexuais no portão da escola por motivos diversos, mas a maioria era de medo mesmo dos mais velhos, Ênio era o único que realmente gostava de “dar a bunda”. Os outros davam pena de ver o sofrimento nos olhos, mas a maioria dava. No ano seguinte, mais, digamos desarnados, iriam atormentar outros alunos novatos e desamparados. A Escola era masculina, meninas não estudavam lá.

Mas consegui despistar o assediador com o truque de ir a diretoria conversar com D. Laura a Diretora, que era amiga de minha mãe. Resistir era a arma que dispúnhamos na época, o arrocho sexual era enorme, e os meninos em idade de efevercência não tinham como descarregar sua energia sexual. Podiam até namorar, mas com respeito, à distância, sem toques íntimos, aliás toques de qualquer qualidade só quando o namoro estava a virar noivado. Despistar não queria dizer que se estava livre, era necessário não ir ao pátio de recreio, ficar na biblioteca num lugar em que a professora da biblioteca ou outro adulto estivesse vendo, e mesmo assim, o assediador arranjava um jeito de “futucar” a vítima, de convidar ao porão ou banheiro, de levar brindes de confeitos ou sanduiches, ameaçar, teve até um sujeito que agarrou a mãe de um dos alunos na hora que ela foi buscá-lo, como forma de ameaça cumprida, ele disse que ia agarrar a mãe dele e fazer mal a ela outro dia n o caminho da escola, se ele o filho não desse o rabo para ele, ou pelo menos batesse uma punheta rápida no banheiro. A mãe agarrada não entendeu patavina, o garoto ria e dizia como az Senhora é bonita, parece artista de filme, ela inocente da chantagem, ria condescende. O Filho acreditando agora que tudo ele podia fazer, que não havia segurança nem para sua família, cedeu.

No outro dia depois, desapareceu e foi encontrado no porão, nu, com os pulsos sangrando, foi salvo por milagre e desapareceu da escola, ninguém sabe o que ele contou, mas tenho certeza que inventou algo, o medo do sacana estuprador era muito grande. Outro que não suportou a pressão foi Abdias, este quebrou um litro de vidro na cabeça do Alexandre no recreio, foi expulso e até hoje a diretoria nem os pais sabe porque daquele gesto tresloucado.

Esta prática continua em todo lugar, basta uma criança que não tenha postura de líder, que seja calma e tímida, ou apresente corpo mais saboroso, que está indubitalvemente condenado a ser gay apulso. Muitos entram no homossexualismo por esta porta e não voltam mais, outros ainda tentam e resistem, mas na maioria das vezes com tremendas cicatrizes que o leva a duvidar de sua masculinidade. Nesta idade não temos como distinguir a agressão e sempre nos culpamos, algo nós temos para atrair pessoas do mesmo sexo né? Ou pior não temos, não somos, mas a turma de homossexuais para atender aos interesses de seus parceiros ativos vai seduzir o inocente de mente em formação, para que o mesmo entre na seleta turma dele mostrando vantagens materiais muitas vezes acima das expectativas do pobre garoto. E uma vez dentro do “clube” não há retorno possível. Se há sua idade imatura certamente não vai descobrir.

Mas o circo dos horrores se firma quando esta sacanagem com as mentes imaturas tem apoio oficial da Escola, dos governos, e até da igreja, lembrem-se da cartilha do MEC, e da campanha tusinamatória que estão fazendo em prol da formação imatura de gays, mesmo que o menino não tenha nenhuma tendência natural, mas  forçosamente se alguém da tal turma se encantar com  o garoto, este está perdido, porque se for a diretora ela dirá que ser gay é normal, claro que é quando se é gay por escolha própria ou de nascimento. Mas estes adultos nunca vão olhar a questão sob o prisma verdadeiro a criança não é gay, estão a querendo gay. A Campanha da turma Gay agora com apoio do MEC do Governo Federal, e da tal Politicamente correta postura Lulista que assola a Nação, vai fazer do Brasil, uma Nação de Jovens atormentados, atordoados, que para se enturmar e ser politicamente correto, correu para se juntar a turma gay.

Este circo dos horrores, que se antes ocorria por falta de esclarecimentos, agora ocorre de maneira brutal por excesso de esclarecimentos e  esclarecidos.



J.Torquato (Supertor4)

Maceió – Julho / 2012