sábado, 25 de agosto de 2012

O SCRIPT DAS GREVES PLANEJADAS PARA ""LIMPAR" SUJEIRAS


 


PAIS DE CORRUPTOS IMPIEDOSOS, QUE ODEIAM SEU POVO.
jTorquato

O SCRIKPT  DAS GREVES PETISTAS É ALGO ASSOMBRADOR, PRIMEIRO FAZEM EXIGÊNCIAS ABSURDAS, E CLARO O POVO FICA FULO DE RAIVA, PELOS SERVIÇOS SUSPENSOS ABUSIVAMENTE, E PELO PRETENDIDO PELOS GREVISTAS, CLARO QUE AÍ ENTRA O GOVERNO “DURÃO” DIZENDO QUE NÃO VAI DAR AQUILO, QUE NÃO TEM CAIXA, QUE TEM DE OBEDECER A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL E OUTROS ETECÉTERAS, TUDO FITA PARA INGÊS VER. NA REALIDADE É CINEMINHA PARA TRAZER O PT DE DILMA A LUZ DO BENFEITOR PÚBLICO DO POVO, QUE CEDE MAS COM DIGNIDADE, QUE "CONCEDE AUMENTO MAS COM DUREZA, JUSTEZA" E   POR AÍ VAI.
NA REALIDADE É DE PASMAR QUE OS BRASILEIROS NÃO TIVESSEM SEGUER SACADO QUE ESTAS GREVES SÃO ESSENSSIALMENTE POLÍTICAS E UM CRIME CONTRA A POPULAÇÃO, POIS NÃO PRETENDEM ACORDOS SALARIAIS, PRETENDE “LIMPAR A BARRA DO PT”.
DAÍ UM GRANDE IDIOTA MARKETEIRO IMAGINOU, BOLOU E O PT PÔS EM AÇÃO ESTA ONDA GREVISTA, NUM MOMENTO OPORTUNO DEMAIS PARA SER UM PLANO INGÊNUO SE NÃO FOSSE A IMBECILIDADE DA MÍDIA BRASILEIRA, MÍDIA MEDROSA E COMPRADA, E QUE PARECE  NÃO SE IMPORTAR COM O POVO BRASILEIRO. TAVA BEM NA CARA QUE ESTAS GREVES ERAM ANORMAIS, BASTAVA UMA SIMPLES INVESTIGAÇÃO. MAS CADÊ A VEJA, A ISTO É?
E O POVÃO QUE MESMO COM UM ALERTA MIDIÁTICO COMO A DEVASSA DE MINISTROS CORRUPTOS, OUTRA JOGADA PETISTA, AINDA NÃO LIGA ALHOS A BUGALHOS, E SÓ SENTE OS DESCONFORTOS, AS DORES, O SOFRIMENTO ORIUNDOS DESTA GREVE SAFADA, PLANEJADA, EXECUTADA, NUM DESCARAMENTO ÍMPAR, NUM PAÍS DE CORRUTOS IMPIEDOSOS QUE NADA SENTEM PELO SEU POVO.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

NÃO ESTAVA LÁ...ESTAVA? SEI LÁ...VIAJEI



ERRR. NÃO ESTAVA LÁ.... ESTAVA? SEI LÁ....... V IAJEI
jTorquato
Eu sei que me despedi, nem sei onde estava, e muito menos para onde queria ir, só sei que eu ia, as estreitas ruas ora se me deparava com um poste de madeira e havia iluminação, mas a rua estava deserta, nem buzina, nem vozes, nem passos, nem assovios de trechos de músicas. Tenho a impressão que de onde eu estava era mais alegre.
Olhar para cima eu podia, mas enquanto mirava a lua cheia e romântica, o chão se me apareceu de repente me mostrando que meu lugar é aqui em baixo, beijei a areia entre uma brecha da calçada de cimento e olhei de lado, era um portão largo e mal pintado, parecia o portão de um  cemitério, o portão riu de mim, e escancarou numa gargalhada falante “ Sou a estrada da morte mesmo seu bebum desgraçado”. Eu nem liguei para aquilo, era normal portões falar e gargalhar, e até normal ser um portão de cemitério me esculhambar. Saquei de uma rosa que nem sei de onde tirei e coloquei nas grades do portão dizendo sem nexo:
- Descanse em paz.
Não sei como me levantei, nem como fui parar naquele banco daquela praça, sei que havia diversos mendigos dormindo em jornais, papelões e farrapos, eu sei que me expulsaram do paraíso de uma calçada quentinha por baixo da marquise da TV da praça e sei que me deram, uma caixa de papelão com  algo escrito como LLGGPP ou coisa que o valha, fiquei ali sentado olhando o chão de restos de festas, havia uma história do folclore, as pastorinhas, o pastoril, os cordões vermelho e azul, a Diana, ah!  A Diana. Papel de pipoca, talos de rolete, cascas de sorvetes, maços amassados de cigarros, fitas azuis e vermelhas amassadas e enroladas, papéis picados como confetes. De repente soprou uma brisa trazendo o perfume do mar, juntou ao aroma das plantas do jardim, e tirou o lixo para dançar.
Assim meio voando, quase babando, fui convidado e bailei uma valsa, dancei um merengue lunar, ouvi um chorinho lagunar, abraçado ao papelão, com as fitas coloridas aos meus pés, pequei um talo de rolete e ofereci a lua no céu mesmo com receio de levantar o olhar, as estrelas no céu piscaram e a lua se me ofereceu um raio, a praça virou um salão brilhante. Os confetes se misturaram as cacas de sorvetes e me lambuzaram os lábios num beijo arrebatador.
Apagaram as luzes, desligaram o som. Chegou a turma das drogas, com gritos selvagens e pisando tudo, me bateram sem receio. Enquanto isso eu sonhava e um condor me dizia:
A Praça não é mais dos sonhadores e dos namorados, Nosso céu não é mais dos condores, Vem comigo amigo sonhador, venha tomar um drink no Céu dos condores, vem viajar com uma andorinha, esqueça este mundo real e se realize na loucura normal.
Acordei entre brumas azuis. Ao meu lado meu amor me acariciava, eu ainda tentava entender como eu me lembrava de uma inscrição numa lápide com  o nome dela, mas deixei para lá. Ela estava lá e tinha a forma de uma andorinha.
Saímos voando vendo a humanidade rastejar na terra.
jTorquato (Supertor4)
Maceió, Agosto/2012

VISITA DOS SAFADOS DO ALÉM - Homenagem a Nelson Rodrigues



VISITA DOS SAFADOS DO ALÉM


JTorquato

Virei o vidro de ácido no copo, era minha dose diária, nunca reparei na marca do produto, nem de seu fabricante, eu o tomava diariamente, para depois destilar durante o dia, toda minha amargura, indignação, meu cinismo protestante cevado em derrotas populares na luta contra a impunidade, corrupção, incapacidades de gerenciamentos públicos, e idiotice do povo abestado que critica para depois soprar no mesmo sacana que era motivo de críticas, vendendo-se por meras esmolas eleitorais.
Pois bem desta feita tive a curiosidade de olhar o rótulo, além de uma caveira mui semelhante a certo cronista cínico, tinha o nome do fabricante que também era distribuidor NELSON RODRIGUES.]
A Minha máquina de escrever que estava nicotinada no lugar da antiga pintura, era hoje um teclado de letras apagadas, e já trocado por um antigo que também de cinza, se nicotinou. Ao meu lado um safado tarado condenado por ter roubado descaradamente verbas destinadas a merenda, educação e saúde, exibia um sorriso desdentado de caveira e gritava sussurrando, ave de mau agouro, que eu é que era ingênuo me negando aos prazeres terrenos em troca da ética, e da honra que só havia a estrada da pobreza extrema, no seu reino, dizia ele, ninguém perdia oportunidade de por a mão numa grana por fora, que se lascasse as crianças com fome, o povo gritando de dor no chão dos corredores do SUS. E que educação do povão era produção de revolução posterior.
Olhei para o filha da puta do defunto na sombra de meu quarto, pequei a porta da geladeira encostada  na mesma, e joguei nela, a porta enferrujada voou por cima da estante que só com o vento passante, desmontou jorrando livros velhos e papeís amarelos por toda sala, a parede recebeu com carinho a porta da geladeira e o defunto se escafedeu. Mas logo a porta da sala bateu e não era o vento norte, eram outras sombras, fazendo sexo explícito, dançando e rindo de mim, um velho barbado me apontou o fantasma de Tancredo Neves, mais adiante Brizolla conversava sem fim com Getúlio Vargas, e me dizia “O povo não sabe de nada o Povo vota em quem fala mais e a língua deles, o povo gosta de demagogia e de candidatos ricos, se veem lá nos parlamentos roubando também”. Ao seu lado Ulysses Guimarães balançava a cabeça já disposto a contestar. Mas calou-se e abraçou Mário Covas que estava vermelho de raiva. O Silêncio deles não era o silencio dos inocentes.
Calabar apareceu dizendo da traição histórica contra sua memória e gritava se fossemos Holandeses, não estaria esta putaria toda. Do alto de algum morro infernal descia membros ensanguentados, rolando pela encosta, pensei no jornalista da Globo e seus carrascos dos morros cariocas, mas a cabeça era raspada e sem barbas, Mas Lula ainda não morreu!!!!, claro não era Lula pois atrás não vinha nenhuma garrafa de pinga e sim uma corda em nó aberto. Havia tradução de seus gritos mudos e o tradutor era um aleijado total, diminuto,” Eu me Chamo Antonio Lisboa o Aleijadinho e este aqui é outro mineiro de honra se Chama Tiradentes, ele está dizendo que se soubesse em que se transformaria o povo brasileiro, tinha ficado quieto e arrumado uma esposa para aquatelar-se em família”.
Finalmente não encontrei o mestre Nelson, mas faz mal não, tenho de arrumar uma tábua de compensado para tampar minha geladeira, e um calço para ela e a estante desmontada e não remontável. Tenho de encarar mais um dia de políticos caras de pau na TV prometendo a mesma coisa que sabe nunca vai fazer, receber noticia da Pizza Julgamento do Mensalão, onde o espetáculo televisivo já se aproxima do BBB e da Fazenda, em qualidade, arte e comicidade, além da audiência, mas que todos já sabem do final. Se forem condenados talvez, pegarão a pena de cestas básicas e multas além de aposentadorias mordomísticas, e se não, correrão a processar o governo, a imprensa e a puta que o pariu, atrás de mais grana.
O Combustível destes corruptos sacanas se chama grana e poder, ou poder e grana, ou seja: Carrara ou Carrara. A Isca é essa, e meus fantasmas que já não sabem mais o que é isso, a gracinha do humor diz, “que já não te pertence mais”, mas os caras não desgrudam da materialidade corruptista, e ao lado dos filhos, esposas, netos e sobrinhos, continuam sussurrando fórmulas do além ao vivos nos Parlamentos do Brasil e nas Empreiteiras, nos Bancos, Nas corretores, Nas Agências Valerísticas. Não se enganem com a minha geladeira desconjuntada, eles são os professores astrais de além túmulo do espírito safado e sem vergonha de seus alunos e herdeiros na terra Brasilis.
Quando verdes políticos, lobistas, empreiteiros suspeitos, juntos ou em grupo, pode crer amizade, lá estará sempre o SENHOR das trevas, Seu parente morto safado ou um professor de corruptália a repassar seus conhecimentos as queridas e imundas almas ENCARNADAS.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MATE OU MORRA COM UM DEDO


MATE OU MORRA COM UM DEDO
Esta é sua responsabilidade
jTorquato

Joana estava “rodando a baiana” não acreditava mais no filho, que alegre já saia para jogar bola.
-A fessôra disse que num tem aula hoje, porque falta água, e falta comida.
Mas ontem também não houve aula!!! Só este mês foi uns 10 dias!!! Exclama Joana indignada.
- Mas ontem faltou a “fessôra”, e amanhã vai ter greve, tumbem num vai ter aula.
Vou lá, vou saber desta história. Joana esbaforida jogou o lenço da cabeça na mesa que preparava o almoço, e saiu como o vento norte.
A Diretora estava trancando o portão principal onde já estava colado um papelão colorido onde se destacava as letras GREVE.
- Então é verdade? Não vai ter aulas por muito tempo. Que vai ser de meu filho?
- Dona Joana, falta água, falta merenda, falta professores, falta pessoal de apoio como cozinheira, faxineira, porteiro. Eu mesma nem aguento mais o mal cheiro dos banheiros. Tem o telhado da sala 2 que vai cair, olhe tá um caos.
Dona Joana engole seco, daqui a pouco estarão os políticos na TV em propaganda eleitoral, dizendo a mesmíssima coisa de sempre, o Importante é Saúde, Educação, Segurança. Tudo uma grande farsa, na eleição passada, Medita D. Joana, votei em quem mesmo para Deputado, ah lembrei, o sobrinho do Dono da Farmácia, não, não esse foi para Vereador, o Dono da Farmácia me deu 30 comprimidos do remédio que eu comprava todo mês lá. Ah Deputado, sei não não me lembro mesmo. Pois desta vez que venham me pedir votos, não vou me trocar por 30 comprimidos não, ou é trezentos ou é nada.

II
O Torrão quente da estrada poeirenta denunciava meses sem chuva, lá por traz da cerca da fazenda de Seu Amaro se avistava o casinha deserta, Seu Amaro tinha se ido para a Capital, a Seca acabou com tudo dele, e nem conseguiu vender suas terrinhas. Seu João Pensativo, ia carregando na cabeça um caixãozinho de defunto, de tábuas estreitas, emprestadas de caixotes de maçãs ou talvez laranja, quem sabe? Seu Dentinho (só havia nascido um dente) morreu de caganeira, na realidade de mixadeira, pois nada engolia o menino em quase 10 dias, também em casa nada mais havia, tinha de seguir a trilha do Seu Amaro e fugir daquele lugar, ir pelo menos esmolar na Capitá, Mas só depois de enterrar o Dentinho (pobrezinho nem tinha nome ainda), os outros oito sobreviventes iria com a gente, iria ajudar a catar migalhas e uns trocados, quem sabe se melhorarias de vida. Seu Amaro dizia, na Capitá ninguém morre de fome e de sede. Sempre sobra algum até nos lixos ricos das casas até de pobres. Seu Fungência dia destes reuniu a turma toda que trabalhava no milho, no algodão e nas roças pequenas, era um bom tempo, com chuva que São José nos enviou. Via com um moço a tira colo, esse moço pegou nossos nomes, providenciou os “titu de leitor” fez uma lista e no dia da tár votação, fumos lá e votamos no cabra. El.e prometeu inté caminhão pipa, prometeu cavar o solo e fazer uma calha para receber água da chuva e guardar na fossa, prometeu que água não ia ser mais nossos problemas. “Votemos nele” e aí o cabra desapareceu. Seu Malaquias da bodega que tem uma TV na bateria, disse que ele aparecia sempre na TV, gritando e chamando nomes bonitos, para “cunhar os outros de ladrão” mas cá para nós, quem rouba esperança da gente é o quê?
Seu Malaquias à porta da bodega acenou para mim e me chamou, fui.
- Sabe o Sujeito que nos pediu voto?
- Sei
- Tá num tár de Julgamento por corru... sei lá, corrução, pelo que entendi, roubar mesmo. E muito dinheiro “cumpadre”, muito mesmo. Dinheiro que era para seca, para nós, para nossa estrada, nossas plantações, nossa escola “pros meninos”. E” inté um hospitá lá na cidade”, oia o sujeirto tem uma baita fazenda em Minas.
- “Cuma é?”
- Pois tou lhe dizendo, e o sujeito reapareceu na TV dizendo que estava sendo perseguido, diabos, não conheço ninguém das redondezas que esteja perseguindo o sujeito, só se for “pariceiros” dele.

III
Na maternidade de alto risco, deitada no piso do corredor sobre um lençol verde, agoniava de Dor D. Marta, que um dia foi professora do primário e hoje era empregada doméstica na Pajuçara. Luzes apareceram junto com uma algazarra, vozes altas, gritos e risos, entraram pela porta de vai e vem e nos viram ao chão, diversas máquinas pretas com lentes nos miraram, luzes nos encandeavam, e uma repórter falava rapidamente em tom de indignação forçada.
- Olhem o estado destas parturientes, não há mais leitos, não há mais vagas, nem há médicos suficientes, não há nem remédios. As demais Maternidades da Cidade estão também lotadas, anestesistas estão em greve;  a segunda maior maternidade está fechada por falta de profissionais. Esta em breve também fechará suas portas, o Hospital Universitário diz que também não há condições para demanda reprimida de pacientes do SUS. Um caos.
Não é a primeira vez que isto acontece, não é nem a primeira vez neste ano, não sou uma analfabeta que possam enganar, como a estas pobres coitadas ao meu lado no chão da maternidade. Eu sei que o Governo Federal pune o Estado por não ter votado em sua maioria no Presidente deles, e de termos eleito um Governador da Oposição. Eu sei de fontes seguras que o Governo Federal faz propaganda que está destinando um montante de verbas ao estado para aplicar na saúde, mas na realidade não manda ou só manda 5% do anunciado. Eu sei que a tabela dos SUS castiga aos profissionais da área de Medicina e todos estão fugindo do SUS para ter uma vida profissional mais digna. Eu sei que, a verba que o Governo Federal manda passa pelos seus deputados e senadores, que a desviam para obras de fachada ou mesmo para seu próprio bolso como a imprensa está cansada de denunciar. Eu sei disso tudo e ainda creio que votei errado, pois meu candidato está lá, inerte, calado, quem sabe por incompetência ou por comodismo, ou sei lá, perdoem minha língua, por estar conivente também.
Do meu lado eu aviso aos navegantes, marujos, tripulantes e passageiros da Nave Brasil.
SEU DEDO PODE MATAR, SEU DEDO PODE CAUSAR UMA MORTANDADE INFANTIL, SE DEDO É CAUSADOR DAS DORES NAS FILAS DO SUS, E NOS PISOS DOS CORREDORES DOS HOSPITAIS E MATERNIDADES DESTE PAÍS.
Por isso no dia das eleições pense e sinta as dores atrozes, físicas, mentais e psicológicas, de uma enorme fatia da população brasileira, mais exposta e mais frágil às consequências da Impunidade que gera uma Corrupção gigante. É esta sua responsabilidade.
Maceió/agosto/2012

domingo, 12 de agosto de 2012


MEU PAI SE CHAMA VANDETE

j.Torquato (Supertor4)
Maceió, 12 ago/2012



Numa escuridão qualquer, com um ruído cadente, embrulhado num quentinho banho aconchegante, eu dormia feliz na minha completa falta de conhecimento de tudo que havia de vir. E....
FIAT LUX
Nasci, logo berrei atordoado, os barulhos diferentes zumbiam em torno de mim, eu voava entre panos e metais, algo doeu na minha barriga, me deram um tapa, apanhei na entrada da vida. E chorei pela primeira vez, esperneei em desagrado, indignado meus pés derrubaram a bacia de água, chutei tudo na minha frente soltando palavrões em forma de choro alto, se houvesse tradução certamente a minha parteira sairia correndo gritando que minha mãe tinha parido um filho do demo..
- Estava eu sentado num banco alto, com braços  de madeira em volta de minha cintura, a minha frente um prato de plástico amarelo, com bordas azuis em dupla circulando e dentro desta paralela, bichinhos azuis de pato Donald, Mikey e Pateta, o prato tinha uma divisão em “Y” e em cada setor um punhado de comidinha diferente em sabor e cor, eu ainda não conhecia os Pastéis, o Hot Dog, coxinhas, refrigerantes, mas já detestava aquela comida sem graça, não-  tinha fome, mas minha mãe com uma colherzinha das mesmas cores do prato, mandava eu abrir o “bocão da vó Vina”., com uma irritante voz de algum animal demente, pensando estar a me imitar, tá louco sô não falo daquele jeito maluco. De repente chegou visitas com presentes, era meu aniversário, havia um homem jovem e uma senhora um pouco mais velha, eram meus tios, mas não vinham de cara alegre, pareciam que vinham ao meu enterro, não entendi o beijo frio que me deram, o sem alegria do “parabéns zezé” (ué!!! Cadê o Zezinho!!??).
Só mais tarde entendi duas coisas: era meu aniversário de 1 ano, e era a Notícia que meu pai não viria me visitar, aliás não viria nunca mais, eu só o veria 21 anos depois.
- Das minhas traquinagens como pular do balanço na praça do natal, antes de ele terminar de rodar, entre outra estripulias, eu sentia mais que notava conscientemente, que minha mãe emagrecia, que não parava em casa, que se esforçava para nos levar aos domingos a passear na praia, parques, ou passeios educativos como a monumentos históricos e etc. Sempre muito cansada, muito irritada, encurtando os passeios e até... desmaiando em público.
- A Vesícula de minha mãe era “preguiçosa” naquele tempo isto era uma complicação, ela tinha de sofrer horrores, de dores, tomar várias injeções diárias, até a vesícula voltar a trabalhar para ser operada. Foi uma fase muito má, fiquei nervoso e desde este período não me recuperei totalmente, minha mãe era meu mundo, e meu mundo estava desabando de gritos e choros no quarto ao lado com a casa cheia de gente curiosa anotando tudo para futuras fofocas.
Na Adolescência ela ficou paralítica, foi um lapso emocional, ou como diria os vizinhos repórteres comunitários das desgraças alheias,falta de homem. Viajou para o Hospital dos Servidores para se tratar.
Sim Hospital dos Servidores, pelo IPASE antiga previdência dos Funcionários Federais, minha mãe era uma heroína que trabalhava em duas empresas de contabilidade e uma construtora, estudava vários cursos da época, corte costura, taquigrafia, telegrafia Morse, culinária avançada etc,.e ainda fazia curso superior de História, mais tarde Passou em primeiro lugar no concurso para os Correios, e tmbém foi ser professora de história em dois escolas secundárias.
- Agindo assim ela conseguiu nos criar com dignidade, sem apelar para educação rígida demais ou protecionista demais, mas milagrosamente dentro dos limites para humanos jovens, com liberdade assistida sem liberalidades ou covarde comodismo da abstenção de acompanhamento dos filhos usando o lema: liberdade e privacidade. Isto é que não, exercícios de casa, ela vinha ver orientar, ir na esc ola sempre para saber como andávamos, sempre presente, embora sentíssemos envergonhados numa época que já se dava tratamento liberal aos jovens. Entenderam?
D. Vandete deu uma de mãe cuidadosa, e uma de pai trabalhador, sustentador, e milagrosamente esta heroína do século XX modelou os filhos em homens de bem.
POR ISSO NESTE DIA DOS PAIS, EU DEDICO ESTA LÁGRIMA QUE ME CAI DOS OLHOS, A DONA VANDETE DE ALMEIDA BARROS, MEU PAI, MEU TUDO.